Sexta-feira, Março 14, 2008

TEMPORADA 01 - EPISÓDIO 02 .:. DO LUXO AO LIXO [PARTE 01 DE 02]

Caso vc não tenha lido o episódio 01 clique no link auto explicativo abaixo:
Luis Mariano

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A noite estava quente, entretanto um vento frio soprava de sudoeste me assustando um pouco!
Toda vez que tem tempestade no Rio com direito a alagamento e barraco desabando de encosta, a chuva vem deste quadrante. Olhei para o céu e falei: - Porra, não acredito que vai chover!
Milton e o Boca que estão entrando no carro no segundo que declarei minha previsão falaram ao mesmo tempo: - Ahhhh! Falou agora o próprio Clima Tempo!
Dei uma risada e entrei no carro com rumo certo, o Pagode do Luxo.
Este pagode fica na Vila Valqueire e é um tiro de 15 min da casa do Miltinho, durante o caminho reparo o clima de A noite dos mortos vivos que se instaurou lá fora. No subúrbio é desta forma, depois das 22:00 não se encontra uma alma viva na rua. Não é só a criminalidade que dá este efeito de filme de terror B, acho que sempre foi assim. A única diferença é que antigamente janelas e portas ficavam abertas e hoje alem de fechadas possuem grades.

Muvuca na rua é hora de arrumar uma vaga! Reduzi a velocidade para achar aquela vaguinha esperta. Foi então que o Boca falou com um tom de quem sabe do que esta falando:
- Porra! Vamos parar na casada tia Nilda! Não vai deixar o carro no meio da rua, né?
A idéia é até boa, tia Nilda é uma senhora batuta que faz seu amplo quintal de estacionamento nos dias de pagode. Só que é esquema forte, só diretoria, pois ela não coloca placa nem nada é só para quem conhece o lugar. O pagamento é um pouco mais caro, isso é verdade, mas se você sair bem tarde, ou cedo – Como minha mãe costuma dizer; tem direito a pão, mortadela e café com leite. Tudo isso patrocinado pelo Seu Zacarias, marido da tia Nilda e dono da padaria da rua, Panificadora Esmeralda. Com o estacionamento pago é liberado o café da manhã.
Embiquei o carro e parei em baixo de uma mangueira que ocupa o canto direito do quintal da tia batuta. A Mangueira estava sem nenhuma fruta no pé o que garantia uma boa sombra de manhã e nenhuma manga aterrisando no teto do meu golzinho.
Já era meia noite e o neto da tia estava recolhendo a grana. Estacionamento pago era hora de tomar uma cerveja e ver o pessoal entrar no pagode.
No isopor do gordo tem cadeirinhas, alguém falou e para lá fomos. Pegamos duas Cicareles e dividimos em três copinhos.
Entre a primeira e a segunda garrafa desembarca na frente do pagode um monumento de morena. Era a Débora, vestido um pretinho básico e simplesmente calando todos marmanjos que faziam plantão na porta do Pagode.
Tem gente que fazia pouco. Falava que ela só queria saber de conforto e cara com grana eu não conseguia tirar os olhos daquela garota.
Na medida que ela sumiu da minha vista eu pego um Lucky de dentro do maço e dou uma baforada como quem esta relaxando após o prazer.
Milton olha pra mim e fala: - Você não tinha largado o cigarro?
- Larguei dele, é ele que não larga de mim... Respondi olhando para o motherfucker queimando entre meus dedos.
Meu momento de reflexão foi interrompido pelo Boca me pedindo um cigarro.
- Me arruma um careta aew Mary? Falou sem tirar o olho do maço que estava na minha outra mão
- Eu juro que o próximo que me chamar de Mary vai ganhar um catiripapo nas orelhas. Falei entregando o maço pro Boca que não reparou que a primeira gota de uma tempestade que seria lembrada como a tempestade do século se estatelou sobre o S de Strike no logo do maço. Dei uma olhada para cima, vi a coisa ficando absurdamente preta e falei ironicamente: - Bota Lucky Strike nisso!
Milton perguntou o que eu tinha dito e respondi que era hora de entrar e assim fizemos. Pagamos o gordo e fomos para a entrada, na metade da travessia da rua a tal tempestade caiu sem nenhuma cerimônia. Ficamos no máximo cinco minutinhos para entrar no clube, o bastante para não ter mais ninguém do lado de fora.
Ainda pude ver a cena dantesca do gordo dentro da sua towner, tirando o máximo da sua barraquinha de cachorro quente motorizada.
- Tomara que ele chegue em casa bem! Pensei em voz alta.
Ao entrar no pagode vi que o gordo estava correndo menos perigo que eu.
Tinha esquecido do porque eu fiquei afastado um ano de Madureira e acho que muita gente tinha se esquecido...
Mas aparentemente o principal envolvido estava com uma ótima memória esta noite!

[FIM DA PARTE 01]

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