Já que a minha inatividade esta virando motivo de chacota eu resolvi escrever uma história que mistura realidade e ficção. Vou me permitir usar lugares, pessoas e situações que são reais em um enredo puramente fictício.
Na realidade eu não sei onde esta história vai parar, mas sei onde ela começa. É lá, onde não tem frescura nem atrevimento, lá onde é o berço do samba, é bem perto de Osvaldo Cruz,Casca Dura, Vaz Lobo e Irajá.
Marureiraaa, lá lá laiá, Madureiraaa, lá lá laiá
-- PARTE 01 .:. O MEU LUGAR
A sorrir eu pretendo levar a vida
Pois chorando eu vi a mocidade, perdida...
Assim o pagode comia solto em Madureira! Tinha chegado a menos de 15 minutos e de dentro do bar do Seu Malaquias o batuque implacável do tamtam hipnotizava meus ouvidos.
Peguei meu radinho e passei um alerta para meu camarada Milton, ou carinhosamente Miltinho.
Miltinho era baixo e corpulento, o que lhe garantia uma ótima autonomia em se falando de beber cerveja, comer aperitivos gordurosos e falar besteiras ao som de um partido alto como só se pode ouvir em terra de bamba.
- Colé Milton! Mary é sacanagem!!
- Você é muito careta... Ta onde, porra?
- Estou na porta do bar do Velho Malaka.
- Então entra, que o samba não tem hora pra terminar hoje!
Olhei para os dois lados da rua e atravessei em direção ao bar que era tão peculiar quanto o nome do dono. Um típico cospe grosso do subúrbio carioca. Deve ter uns 5 metros de profundidade por uns 10 de comprimento, um toldo já todo amarelado pelo tempo faz sombra aplacando o calor de 40ºC que faz nesta manhã de sábado, lá dentro o velho Malaquias resmunga algumas palavras desconexas e um grupo tocava sambas imortais sem nenhum compromisso.
Ao entrar no bar seu Malaka vem em minha direção enquanto me aproximo do balcão onde está exposto o melhor do pior da gastronomia de um botequim, mas antes que eu possa sequer cumprimentá-lo aquelas mãos carcomidas pelos anos pinçam minhas bochechas com uma força desproporcional a idade do seu dono.
- Porra velho filho da puta! Você esta de sacanagem? Esbravejei em tom de surpresa pelo golpe recebido, mas na real, já sabia o que me esperava.
Algumas da última vez que estive lá, quando estava indo embora, arrumei uma sacanagem pro velho. Coloquei uma cabeça de fósforo dentro de um dos cigarros do maço do velho.
Eu não vi, mas quem estava presente falou que o Malaquias me jurou e tudo quando o seu Derby inexplicavelmente explodiu entre uma tragada e outra!
- Moleque safado! Você quer me matar, é isso?
Achei realmente que ele ia arrancar minha bochecha fora, mas consegui que largasse após fazer minha cara de: Você tem certeza que fui eu?
- Quem te falou isso velho? Falei em tom soberano.
- O Boca falou que isso tem todo o jeito de ser arte sua...
Minha deixa foi dada;
- Logo o Boca que é safado? Se fosse o Milton eu não ia nem contestar... Mas o Boca é foda! Estou triste por você levar em consideração o que o Boca fala.
O velho Malaka ficou todo sem graça, pois eu era o que menos fazia arruaça ou implicava com sua maneira de velho dono de buteco cospe grosso de conduzir s negócios. Pelo menos não na frente dele!
- Desculpe Mary, o que vai querer hoje?
- Primeiro eu quero que você pare de me chamar de Mary e segundo uma Skol gelada!
- É o Miltinho que vive te chamando assim. Ele falou trazendo dentro de uma camisinha de isopor um casco enevoado de cerveja em uma mão e um copo fresado, típico de boteco na outra. Tentei catar a chapinhada mão do centenário proprietário do bar mas ele sempre me surpreende com sua agilidade e jogou rapidamente a chapinha no cesto onde estão mais de 500 tampinhas de garrafa, deixando minha tarefa de conferir seaquele casco era verdadeirante de Skol virtualmente impossivel
- Você é ligeiro velho! Falei pegando meu pedido e me dirigindo para a onde Milton comandava o samba como só um morador de Madureira pode um dia sonhar em fazer.
Apoiei a garrafa de cerveja na mesa, servi o copo do meu camarada, depois servi o meu. Brindamos e antes de pousar os copos na mesa demos uma golada da cerveja estupidamente gelada.
- Que honra receber o senhor em solo Portelense depois de longo inverno, Senhor Mariano!
Falando em tom irônico, Milton deixou a roda de samba de lado pra trocar uma idéia comigo.
Fazia muito tempo que eu não ia a Madureira mesmo, quase um ano! Apesar de tudo parecer igual eu sentia algo diferente no ar.
Não era o viaduto, nem os copos engordurados do bar era algo que só quando você se afasta por muito tempo de um lugar querido você nota!
- Você sabe que eu vivo viajando, não esta sendo nada fácil! Tentei me desculpar depositando a culpa da minha ausência ao trabalho.
Compreensivo Miltinho responde em afirmativamente: - To ligado folião, mas e hoje? Tem um pagode ali perto na Vila Valqueire, partiu?
- Então, vim aqui especialmente para isso! Respondi logo depois de ter dado um gole que secou meu copo de cerveja.
- O banho na sua casa esta liberado? Perguntei já sabendo que ele me responderia com um simples positivo com a cabeça.
Assim nos voltamos para a roda de samba que cantava aquela do Paulinho: Se um dia meu coração for consultado...
Enfim estava no meu lugar!


2 comentários:
Hmmm. Me deu uma vontade de tomar cerveja! :9
:*
mas ta bom demais!!!
me senti empleno sábado, o gosta da cerveja e as penocas da debora me vieram a mente!
to be continued...
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